O físico Élcio Abdalla, coordenador do radiotelescópio BINGO, negou que a estrutura instalada em Aguiar, no Sertão da Paraíba, tenha qualquer ligação com atividades militares ou de espionagem da China. A declaração foi dada após o local ser citado em um relatório de um comitê do Congresso dos Estados Unidos que analisa possíveis influências chinesas na América Latina.
O laboratório funciona na Serra do Urubu e integra o projeto internacional BINGO (Baryon Acoustic Oscillations in Neutral Gas Observations), voltado à radioastronomia. O objetivo é estudar fenômenos do universo, como matéria escura e energia escura, por meio da análise de sinais em radiofrequência.
Segundo Abdalla, a participação chinesa no projeto é restrita à colaboração científica e tecnológica. Apenas três pesquisadores de universidades da China fazem parte da coordenação, enquanto instituições brasileiras — como UFCG, UFPB e o Governo da Paraíba — também participam da iniciativa.
Parte dos equipamentos do radiotelescópio foi fabricada na China, incluindo os espelhos principais e estruturas das antenas, enviados em contêineres ao Brasil em 2025. A montagem, no entanto, é realizada por equipes brasileiras.
O coordenador também explicou que uma das tecnologias do telescópio, baseada em antenas do tipo phased array, pode ter aplicações adicionais, como monitoramento ambiental e mapeamento de florestas, inclusive para auxiliar na proteção da Amazônia. Ele ressaltou que essas possibilidades não têm relação com espionagem ou uso militar.
O projeto sofreu atrasos por causa da pandemia. Inicialmente previsto para 2021, o início das operações deve ocorrer em 2026, com funcionamento completo esperado para 2027.
